ANTÔNIO INÁCIO RIBEIRO

 

Voltar à Principal    História    Currículo   Livros   Editoriais   Artigos   Turismo   Humor

 

 

 

HISTÓRIA

 

UMA HISTÓRIA DE SUCESSO
O livreiro que de tanto ler virou “best seller”




Como tenho defendido a aplicação do marketing, como fórmula para a conquista do sucesso profissional, especialmente nos meus últimos livros, "MARKETING PARA O PROFISSIONAL LIBERAL" para se encontrar os "SEGREDOS AO SUCESSO PROFISSIONAL LIBERAL", pretendo que você continue comprando meus livros e acreditando no que proponho, acho ser oportuno contar um pouco da minha história, como forma de transmitir mais credibilidade para as minhas teorias e dar a conhecer minha trajetória, para que ela possa servir de incentivo a todos aqueles que, por se prepararem e trabalharem com afinco, postulam e merecem o sucesso. Para facilitar a leitura e posicionar no tempo e no espaço, a dividirei em quatro etapas, envolvendo as cidades que morei, dando a conhecer um pouco de meu passado e presente.

PORTO ALEGRE

Vou procurar me ater mais à trajetória com os livros, que são minha paixão, fonte de inspiração e meio de vida mais antigo. Comecei aos 16 anos vendendo de porta em porta uma coleção de três pequenos livros sobre culinária: "QUITUTES DA TIA MARILU". Os vendia por 10 cruzeiros e me permitiam a independência financeira já a partir desta jovem idade. Vendia-os nas tardes que não tinha aula e à noite quando precisava de algum dinheiro a mais para alguma vontade maior, tipo comprar um terno ou fazer uma pequena viagem, como ir à praia, por exemplo. Eles me sustentaram por aproximadamente um ano, até que decidi alçar um vôo mais alto.
Atendendo a um anúncio de jornal candidatei-me a vendedor da Editora José Olímpio, que à época estava por lançar uma nova enciclopédia: a BIBLIOTECA CIENTÍFICA LIFE. O gerente que me entrevistou não colocou muita fé no meu potencial. Talvez porque eu usava cabelos muito compridos (quem me conhece pessoalmente ou por foto deve estar rindo a esta altura, com minha imagem atual: uma reluzente careca total). Completava o ar "beat" com longas costeletas e um bigodinho ralo, afora uma camisa vermelha, que hoje concordo, não combinava bem com calças em xadrez cor de laranja, que a bem da verdade eu achava o máximo. O gerente, de nome Coelho, chamou-me para completar a entrevista e talvez tenha se entusiasmado com uma lista de todos os professores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, que conseguira por influência de meu pai, que lá foi professor.
Provavelmente aquele tenha sido meu primeiro lance de marketing, utilizado sem saber que o estava fazendo. A verdade foi que consegui o emprego e aos 17 anos era o mais jovem vendedor da editora. Como segundo lampejo de marketing, decidi somente visitar candidatos após marcar visitas por telefone, logicamente me identificando como filho do professor Ribeiro. Fazendo cursinho pré-vestibular, juntamente com o último ano do científico (como se chamava a segunda parte do ensino médio), me sobrava pouco tempo e tinha que otimizar minhas visitas. A estratégia dava certo e em pouco tempo eu era quem mais vendia no departamento, motivando o gerente a me perguntar como conseguia um desempenho superior a outros vendedores veteranos e tarimbados na arte de vender. Contei-lhe meu segredo e ele se surpreendeu, assim como o surpreendi, por ter sido o único dos vendedores a visitá-lo no hospital, quando esteve internado, iniciando outra faceta da minha personalidade.
Aprovado no vestibular (cursei Agronomia antes de fazer Administração de Empresas), minha vida mudou muito, o que me fez mudar de produto, por conta de ter ficado apenas com algumas janelas na minha grade curricular, para visitar alguns poucos clientes, precisando de resultados diários, o que a cara enciclopédia nem sempre permitia. Optei então por vender os livros do dentista da família, que foi um dos dez primeiros brasileiros a escrever livros de Odontologia. Sem saber que estava me influenciando, escreveu logo três, que me garantiriam o sustento, não só em Porto Alegre, como também nas cidades onde meu pai ia ministrar cursos de capacitação à matemática moderna, que foi por ele introduzida no Rio Grande do Sul e em parte de Santa Catarina. Por mais de dois anos sobrevivi bem com as vendas dos livros do Professor Azzi.

SÃO PAULO
Até o dia que lhe contei uma vontade comum entre os jovens da minha idade à época: ir para o Rio de Janeiro de carona, aproveitando as férias de julho. Ele me alertou para os riscos da viajem e das dificuldades de em não conhecendo ninguém no Rio, talvez ter que dormir em algum banco de praça. Fez-me uma proposta interessante: dar-me-ia duzentos cruzeiros para ir de ônibus até São Paulo, onde eu ficaria duas semanas vendendo seus livros e com o dinheiro destas vendas, ter como ir para a cidade maravilhosa de ônibus e hospedar-me em um hotel. Topei e na primeira semana já tinha ganhado mais de quinhentos cruzeiros na capital paulista. Não fui para o Rio e em um mês tinha contabilizado dois mil e duzentos cruzeiros, que me permitiriam comprar um Ford 51, uma referência naqueles tempos em que a indústria nacional estava começando.
Voltei para Porto Alegre e para tristeza da minha mãe e orgulho de meu pai, que via na vida em uma cidade grande como São Paulo, uma oportunidade de crescimento, decidi mudar. No final de agosto estava morando definitivamente na terra da garoa. Vendendo os livros do Dr. Azzi e quatro outros mais que ele conseguiu, apresentando-me para seu colega Haroldo Cauduro, dono da Revista Gaúcha de Odontologia. Como não conhecia bem a cidade, cada dia pegava um ônibus diferente, indo até o final da linha e voltando a pé pelo itinerário que ele havia feito, vendendo os livros dos autores gaúchos. Ia carregado e voltava vazio, já que naquele tempo eram poucos os autores e menos os vendedores que se dispunham a sair de porta em porta, oferecendo livros.
Vendia tanto que logo as editoras paulistas passaram a me oferecer seus livros, dando-me crédito e mais opções para atender ao exigente mercado paulistano. No ano seguinte, 1973, já tinha montado um escritório e conseguido dois vendedores para ajudar-me a cobrir a maior metrópole do hemisfério sul. Daí a ter uma equipe de vendas na capital e outra no interior foi um pulo e logo estava participando de congressos por todo o país, aproveitando para fazer outra coisa que gosto: viajar e conhecer lugares diferentes. Comecei a receber pedidos por telefone e a enviar livros pelo correio. Num dos cursos que fiz na Associação dos Dirigentes de Vendas do Brasil, aprendi o que eram e como se faziam malas diretas e passei a enviar informações sobre novos livros aos clientes do interior e de outros estados, que ia conhecendo nos congressos. Em pouco tempo era conhecido em quase todo o país como Ribeiro, o livreiro, profissão que sempre me encheu de orgulho.

CURITIBA
Com o sucesso na venda dos livros, cresci e montei uma casa de artigos dentários e depois uma de revenda de equipamentos odontológicos. Mas minha paixão continuava a ser o livro, tanto que em 1983, depois de nove meses de trabalho publiquei meu primeiro livro, um guia odontológico de 251 páginas, com orientações sobre todos os produtos do ramo dentário, algo inédito. Não foi sucesso em vendas, mas ajudou-me a conquistar duas representações de implantes dentários em 1987 e 1989, período em que me mudei para Curitiba, onde obviamente abri outra livraria. Com os implantes cresci e em 1991 estava de volta à escrita, lançando um livro de dicas em implantodontia. No ano seguinte um de perguntas e respostas e outro de problemas e soluções, tudo sobre implantes dentários, até que em 1993 escrevi meu primeiro livro falando de marketing em implantodontia e ao final de cinco anos já tinha dez livros publicados.
Nesta fase além de escrever muito, pois passei a mandar correspondências semanais a meus clientes, procurando informar tudo o que de novo acontecia no mundo dos implantes, iniciei a ministrar aulas, conferências e cursos sobre marketing odontológico, o que me obrigou a continuar estudando e a fazer cursos. No começo escrevia tudo no lápis, o que me deixou com um calo no dedo, que me acompanha até hoje. Depois de pronto uma secretária digitava, cabendo-me finalmente fazer as revisões. Com a chegada dos computadores minha produção aumentou e no início do novo milênio já tinha vinte livros publicados. Alguns deles em terceira ou quarta edição: o Atendente de Consultório Dentário completando 20.000, o Marketing Odontológico 15.000 e o Tudo sobre Implantes Dentários atingindo 12.000 exemplares. Ao completar cinqüenta anos, reuni todos os meus amigos de adolescência, alguns que não encontrava há mais de trinta anos e aproveitei para lançar meu 20º livro, com o qual atingi 50.000 exemplares vendidos: Odont'humor, uma coletânea de 50 divertidas estórias de minhas 43 viagens para a Argentina, 7 aos Estados Unidos e 3 para a Alemanha, levando dentistas brasileiros para fazerem cursos de implantes dentários no exterior.
Mas ainda faltava algo maior. Foram assim que surgiram os três últimos: "100 motivos para ir ao dentista" onde apresento um plano de se gastar menos com dentistas, exatamente visitando-os mais; "Marketing para o Profissional Liberal", meu primeiro livro fora da Odontologia, com uma proposta de marketing mais ampla, abrangendo todos os que trabalham como profissionais liberais e finalmente, meu projeto maior: "Segredos ao Sucesso" onde baseado em um bom trabalho de marketing, proponho um posturamento como meio de se atingir ao merecido sucesso. Na época de seu lançamento tive a satisfação de atingir 60.000 livros vendidos, o que me coloca como o autor mais vendido da Odontologia brasileira, além de ser quem mais livros já publicou nesta área.
Gosto tanto de escrever que me sinto útil em fazê-lo, por imaginar que assim estou dando mais sentido a tudo que tenho aprendido, na medida em que outros podem disto se beneficiar e dos conceitos que vou desenvolvendo a partir dos cursos que faço e das leituras que me entretém. Tanto que atualmente estou trabalhando em três projetos: a 6ª edição das Dicas em Implantodontia, a versão para profissionais liberais do livro "Condomínios Odontológicos" e um projeto audacioso: um Atlas de Propaganda Profissional Liberal.

BRASIL
Em 2000 para inovar com o novo século, novamente introduzindo algo inédito, passei a enviar e-mails gratuitos com reproduções de dicas, perguntas e respostas, além de soluções a problemas envolvendo implantes dentários, a um cadastro de endereços eletrônicos, que talvez por seu uso original, cresceu em ritmo frenético, chegando ao final de 2004 com mais de 130.000 Cirurgiões Dentistas e 68.000 outros profissionais liberais que recebem atualmente meus textos de marketing.
Para completar ainda mais minha satisfação com esta arte, preciso da sua ajuda. De forma simples, comprando meus livros e de forma composta, depois de lê-los, os recomendando a todos seus parentes, amigos e vizinhos profissionais liberais, de sorte que possa formar uma corrente de conhecimento a cerca do marketing como meio de alavancagem às carreiras profissionais, que permita a muitos mais terem o sucesso e a satisfação que eu tenho, por poder servir a tantos que buscam no conhecimento um meio para atingir seus propósitos maiores.
Este é o prazer maior do sucesso e para poder usufruí-lo preciso contar com sua colaboração e que para atingir seu propósito de sucesso, você fatalmente não poderá prescindir do marketing e da leitura. Vamos dividir estes segredos e fazer ainda mais sucesso juntos. Lendo cada vez mais.

 

 

 

 

PÁGINAS DOURADAS
Entrevista do: Antônio Inácio Ribeiro



Iniciamos neste número uma nova seção da JAO, o nosso já famoso Jornal de Assessoria ao Odontologista. Nestas páginas pretendemos entrevistar, e fazer desta entrevista uma homenagem aos nomes que mais se destacam na Odontologia, em todos os seus setores. Procuramos sempre, através de um jeito mais informal, deixar nosso entrevistado bem à vontade não esquecendo de buscar conhecer um pouco de sua história e particularidades.
Para começarmos dentro de casa optamos por entrevistar nosso Diretor-Científico que é hoje um dos empresários mais atuantes da Odontologia, Diretor da Odontex, autor de vários livros e sem dúvida um dos nomes mais populares do meio odontológico, por suas participações em congressos, pelos inúmeros cursos ministrados e por sua contribuição à Implantodontia.
Sinto-me muito à vontade ao entrevistá-lo porque trabalhei na Odontex durante quatro anos, aprendi muito e ganhei muito em experiência empresarial e administrativa. Mais que chefe, o Ribeiro foi e é um amigo. Hoje é um orgulho tê-lo como diretor e colaborador. Dedico à ele a nossa gratidão e homenagem.

EDITORA MAIO: Como foi seu início na Odontologia?
Comecei em 2 de julho de 1972, quando mudei para São Paulo, aos 21 anos. Antes disto trabalhei 3 anos como “free lancer” vendendo em Porto Alegre os livros (3) do dentista da nossa família, o saudoso professor Francisco de Paula Azzi. Quando decidi tentar a vida na metrópole, incorporei também os livros editados pela Inodon e Revista Gaúcha de Odontologia. Aquela época, em português eram somente estes livros do Rio Grande do Sul e alguns poucos autores de São Paulo: Picosse, Mondelli, Tamaki, Paiva, Graziani, Issáo e algum outro que o tempo me fez esquecer. Eram poucos, não chegavam a 20 os autores brasileiros. Hoje passam de 500. Depois de 2 anos passamos a representar as Editoras argentinas Mundi e Atheneu, que tinham as traduções para o espanhol dos grandes clássicos do início dos anos 70. Eles estavam à nossa frente e já tinham também os seus grandes autores, como o Maisto, Centeno, Saizar, Carranza, Guardo, todos em obras de porte. Foram tempos difíceis aqueles do início; fazia faculdade pela manhã, visitava consultórios à tarde e à noite engordava o orçamento no Sindicato e na APCD, vendendo livros nos cursos de atualização, que na época começavam a ser moda.
 

EDITORA MAIO: Quando foi fundada a Odontex?
Parece mentira, mas foi em 1º de abril de 1977. Não tínhamos uma data fixa de constituição, até o dia em que olhando o contrato social da empresa na junta comercial, vi que o carimbo de registro era 1º de abril. Um pouco por brincadeira, adotamos este dia como data oficial e na verdade seu início foi aproximadamente nestes dias, pois tínhamos tudo pronto para começar, só faltando a liberação para emitir notas. Nesse tempo estávamos na Av. Amaral Gurgel, onde em São Paulo se situam a maioria das livrarias e já desde o começo procurávamos estar no lugar certo, na hora certa. Acho até que este foi o motivo que nos levou a mudança para Rua Humaitá, em frente ao SOSP e APCD. Estes já eram tempos melhores e já começávamos a consolidar a marca Odontex.
 

EDITORA MAIO: Qual é a sua formação?
Em Porto Alegre iniciei Agronomia, que não concluí pela mudança para São Paulo. Em São Paulo cursei Administração de Empresas na Universidade Mackenzie e como não haviam cursos de pós graduação na área, fiz todos os cursos da ADVB -Associação Brasileira dos Dirigentes de Vendas, durante três anos. Recentemente concluí o curso de especialização em Marketing no ISAD-Instituto Superior de Administração. Com a pós graduação na PUC do Paraná senti que o conhecimento rejuvenesce as pessoas e estou inscrito para o mestrado no próximo ano.
 

EDITORA MAIO: O que você vendia, além dos livros?
No início da Odontex, buscamos outras alternativas no setor didático, vendendo modelos e manequins odontológicos. Daí passamos aos instrumentos e logo estávamos comercializando materiais dentários, introduzindo o sistema de tele-vendas inédito até então. Em seguida fomos o primeiro representante da Gnatus e lembro de ter vendido a cadeira 01.
Com os equipamentos lançamos o sistema de malas diretas, também uma novidade na Odontologia. Criamos a Bolsa de Usados, para vender o que os dentistas não estavam mais usando e inovamos com a Bolsa de Empregos, um serviço de obtenção, seleção e treinamento de auxiliares odontológicos. Procuramos sempre inovar e servir, procurando levar ao Cirurgião-Dentista sempre algo novo e que nos diferenciasse.
 

EDITORA MAIO: Quantos anos morou em São Paulo?
De 72 a 87. Foram quinze anos de aprendizado e experiências. Costumo dizer que na escola da vida, trabalhar em São Paulo eqüivale a um doutorado. Morei perto do local de trabalho e o maior problema da cidade, o trânsito, pouco me afetava. Optei por morar no centro e meus deslocamentos eram no sentido inverso do fluxo. Quando a maioria vinha para a cidade eu estava indo para os bairros, visitar meus clientes. Na volta acontecia o contrário e quase sempre eu tinha trânsito livre. Foi assim que minha convivência com Sampa sempre fluiu bem.
 

EDITORA MAIO: Tens boas lembranças?
Com certeza! Lá comprei meu primeiro carro, montei minha primeira empresa, escrevi meu primeiro livro e dei meu primeiro curso. Fiz Faculdade, aprendi muito e é a cidade onde tenho a maior quantidade de amigos. Cheguei como um ilustre desconhecido e mesmo na selva de pedra consegui ser alguém, ser bom em algo. Pela minha proposta de vida, de lá não teria saído. Sempre consegui alcançar meus objetivos e mesmo em alguns períodos de adversidade o saldo foi positivo. fora o lado profissional, também no lado pessoal foi um tempo vivido intensamente. Aproveitava quase as 24 horas do dia e muitas e muitas vezes comprovei que São Paulo nunca pára e quase não dorme.
 

EDITORA MAIO: Recebeu reconhecimento em São Paulo?
Sim, e muitos. fora a amizade que se renova cada vez que encontro um dos amigos pelos congressos deste imenso Brasil, recebi homenagens que para mim significaram o carinho e consideração que a classe teve por mim. Algumas destaco entre as mais distinguidas comendas da Odontologia Brasileira: Medalha do Centenário pela APCD das mãos de Jairo Corrêa, Cinqüentenário da SOSP por Henrique Motilinsky, Medalha Sociedade Brasileira de Reabilitação Oral por Guilherme Contesini, Medalha da Associação Paulista de Odontopediatria por Fausto Baddini, Medalha Sociedade Paulista de Ortodontia por Osni Corrêa, Título de Sócio Benemérito da ABO-MT por João Alfredo Silva, Destaque do ano pela ABO-RJ, Homenagem Especial do SOBRAIMO (Sociedade Brasileira de Implantodontia) por Eli Alves de Souza, Medalha Álvaro Badra (meu primeiro amigo em São Paulo) por Alfredo Pimenta, dentre outros, todas me emocionando muitíssimo pelo que simbolizaram e pelo valor que dou a este lado nobre do ser humano e que a meu ver serve de incentivo aos mais novos no sentido de motivá-los a fazer o bem, edificar e construir.
 

EDITORA MAIO: Como começou o trabalho com implantes?
Da forma que começam as grandes coisas: por acaso. Aproveitei o congresso mundial da FDI (Federação Dentária Internacional) para conhecer Buenos Aires e tentar conseguir alguma representação nova. Isto foi em 1987, justo o ano em que estavam começando os implantes osseointegrados no Brasil. Próximo do estande do Branemark recebi um número da Revista Argentina de Implantologia Oral, que estava sendo lançada no congresso. Nela havia publicidade de um curso e de um sistema de implantes (TF) que custava um quarto do valor dos suecos. Era a ponte para os implantes terem um preço mais ao nível da realidade latino americana. Com ela colaboramos com toda esta revolução que culminou com o reconhecimento da implantodontia como especialidade e com o “bom” dos implantes. Em dois anos o TF era o implante mais vendido no Brasil, três anos depois organizei o primeiro grupo de brasileiros para o encontro da Academia Americana de Osseointegração. Aproveitei para conhecer os Estados Unidos e de quebra ganhei a representação do IMZ. De primeiro vendedor de implantes passamos a ser o maior, distribuindo os dois sistemas de implantes de melhor aceitação no país, àquele tempo.
 

EDITORA MAIO: E a mudança para Curitiba, foi por motivo pessoal?
Com tanto convívio com a classe acabei escolhendo uma Cirurgiã-Dentista como esposa e isto acabou avançado minha carreira com os implantes. Me dediquei tanto aos implantes que terminei sacrificando o relacionamento. A cidade me acolheu tão bem e o sucesso que obtive durante estes dez anos foi tanto que optei por aqui continuar. Curitiba por seu incrível crescimento nos últimos três anos me lembra muito São Paulo do tempo que lá cheguei. É uma cidade de oportunidades, bastante seletiva, onde os bons encontram lugar e conseguem se projetar. Obviamente não abro mão da qualidade de vida que aqui encontrei e da cara verde da nossa cidade. Aqui tudo funciona e dá gosto sentir e participar do progresso do estado e da cidade. Admiro tanto a capacidade dos paranaenses em desenvolver cidades e seu povo, que algo me diz que o próximo presidente sairá daqui.
 

EDITORA MAIO: Quantas vezes foi ao exterior?
Sempre gostei da função de “tour-conductor” e com ela fui mais de cinqüenta vezes à Argentina, sete vezes aos Estados Unidos e três vezes à Europa. Como turista ou à negócios conheci o Uruguai, Paraguai, Chile, Peru, Holanda, Alemanha e França. Por conta disto, falo bem o espanhol e consigo me comunicar em inglês. O fato de ter trabalhado dez anos com implantes estrangeiros me propiciou organizar e acompanhar mais de cinqüenta cursos com ministradores internacionais e hoje tenho amigos na Odontologia dos quatro continentes.
 

EDITORA MAIO: Quantos estados conhece?
Acho que facilita a resposta falando dos que não conheço: Rondônia, Acre, Amazonas, Pará e Piauí. Herdei de meus pais o gosto pelas viagens. Antes dos 20 anos já tinha feito mais de 20 viagens interestaduais. Tenho pelo meu país uma atração especial e gosto de conhecer não só as grandes cidades. Gosto de grandes obras, cachoeiras, praias pequenas, serra e pela Agronomia tenho uma atração pelo campo. Tenho pé na estrada, dirigir me dá prazer e voar me encanta. Identifico todos os tipos de aviões comerciais e ultimamente tenho escrito uma coluna Viagem, onde incentivo as pessoas ao turismo.
 

EDITORA MAIO: O que era o Guia Odontológico?
Foi um dos meus maiores projetos, quase um sonho, onde coloquei dois anos de trabalho e que não decolou. A idéia em si era genial. Talvez estivesse um pouco adiantado no tempo e por isso não deu certo. Para os que não conheceram, trata-se de um livro com descritivo, indicação, modo de usar, apresentação, fabricante e outras informações de todos os materiais, instrumentos, aparelhos e equipamentos da Odontologia. Algo como um DEF dos produtos dentários. Errei tentando vendê-lo. Foi lançado em 1982 e só veio a fazer um pouco de sucesso quando dei os exemplares restantes aos amigos que se interessavam por implantes, como um marketing pessoal. Todos gostaram, só que aí ele já estava desatualizado e eu não tinha mais tempo para reescrevê-lo. Foi meu primeiro livro e o meu maior fracasso. Mas, serviu-me de experiência.

EDITORA MAIO: Quando foi o primeiro curso?
Na verdade não foi um curso e sim uma conferência de duas horas no 1º Odonto Brasil. Dei um destaque especial por que foi no Anhembi num auditório para 4.000 pessoas, num tema que depois disto me acompanhou por todos estes anos: Marketing Odontológico. Esta conferência virou apostila e com algumas aglutinações deu origem ao meu segundo livro: Organização e Marketing em Implantodontia.
 

EDITORA MAIO: Quantos foram os livros que você escreveu?
O terceiro foram as 200 Dicas em Implantodontia (hoje na 5ª edição com 500 dicas), o quarto os 100 Problemas e Soluções em Implantodontia, depois as 500 Perguntas e Respostas em Implantodontia, o Tudo sobre Implantes Dentários, a convite da Editora Maio, o Administração e Marketing em Odontologia e o Marketing Odontológico, a seguir o Manual do Iniciante em Implantodontia, o Manual do Usuário TF, o Manual do Usuário IMZ, o Manual do IMC e do HEX, estes últimos como editor e recentemente o Implanto Prótese. Ao todo são 15 livros, mais de 2.000 páginas escritas e 30 edições já lançadas. Acho que tenho feito a minha parte no lado nobre do ser humano que é o de transmitir o conhecimento adquirido.
 

EDITORA MAIO: Qual era a situação da Implantodontia?
Antes da osseointegração era de um quase descrédito científico. Não havia muito embasamento, poucas pesquisas, quase nenhuma vida acadêmica e um quase empirismo por parte dos poucos que se dicavam a ela. Isto até o final dos anos oitenta, quando falar de implantes era a melhor maneira de espantar colegas. Quase não se falava dos implantes nos congressos e inexistentes os artigos científicos na implantologia brasileira.
 

EDITORA MAIO: Conte sobre os implantes que você vendeu?
Dei certo porque, ao contrário da maioria, não mudei de implantes. Comecei com o TF, que vendo até hoje e que no início desta década era o mais vendido, e complementei com o IMZ que no dizer dos melhores implantodontistas é o melhor implante de todos os tempos e que efetivamente revolucionou a especialidade. Fixei imagens e marcas por uma continuidade justificada pela própria evolução destes sistemas que logo apresentaram suas versões com hexágono externo e de parafuso. Consegui dar aos dois um embasamento que hoje somados representam quase 100 artigos e livros, número maior que o somatório de todos os demais sistemas juntos.
 

EDITORA MAIO: Agora você é fabricante?
Sim, depois de 10 anos como distribuidor e cinco anos produzindo componentes protéticos e termos comprado nossa primeira super máquina (hoje temos três) e com o dólar dobrando de valor em um mês, decidimos lançar o implante que vínhamos pesquisando na Universidade Federal do Paraná. Novamente dei certo, pois comecei fazendo sociedade com um engenheiro e um técnico em metalurgia. O negócio cresceu e entraram os meus dois irmãos na sociedade possibilitando um rápido crescimento da fábrica, que hoje produz mais de quinhentos diferentes tipos de componentes implantológicos e têm clientes em todos os estados do Brasil.
 

EDITORA MAIO: E a mudança para sede nova?
Foi outro passo importante e estratégico. Na medida em que a implantodontia se consolidava adquirimos uma casa ao lado da ABO-PR e a reformamos integralmente por um ano e quando a Odontex completou 20 anos (1997) demos para ela a sede nova. Para a entrada no 3º milênio estamos terminando o 2º andar e dobrando nossa área, para acompanhar o vertiginoso crescimento da empresa. Foi um investimento certo que fizemos.
 

EDITORA MAIO: Qual é o próximo lançamento?
Foi lançado no dia 1º de novembro. Chama-se IMPRES e é o nosso implante de pressão, Com ele pretendemos atingir a outra metade dos que preferem implantes sem rosca. Como o HEX, foi um verdadeiro parto: os dois, entre o início do projeto e o lançamento do implante, consumiram nove meses cada um. Como pai coruja, digo que ambos são fortes e saudáveis e certamente terão vida longa.
 

EDITORA MAIO: E o próximo livro?
São dois. Um em fase de acabamento: Cirurgia e Prótese em Implantes, com 300 páginas, 50 capítulos e 40 colaboradores que lançaremos ainda em 1999. O outro, não para a implantodontia, de tão revolucionário, prefiro não comentar o teor. Estará a venda no início de 2000 e acredito que vai mudar a estrutura de trabalho do Cirurgião-Dentista brasileiro. Aguardem.
 

EDITORA MAIO: Como está a BCI ?
A Revista Brasileira de Cirurgia Prótese e Implantodontia é meu segundo projeto que não alcançou sucesso de público. No seu sexto ano de vida ainda não tem uma quantidade de assinantes que a suporte financeiramente. A cada número tenho que por dinheiro do bolso para que saia. Não reclamo. Sei que um dia ela será referência nestas três áreas. Por ora a encaro como um diletantismo e como numa fórmula de retribuir o muito que a Odontologia já me deu.
 

EDITORA MAIO: Você não faz nada fora da Odontologia?
Leio jornal, leio a Veja. Viajo duas vezes por ano a passeio, curto minha família e faço as coisas normais do cotidiano: caminho, vou ao cinema e restaurantes, procurando aproveitar bem o meu tempo. Se a pergunta é pelo lado comercial, realmente meu único negócio é a Odontologia. Acredito nela e ela é o meu único negócio. Não tenho outras atividades ou rendas. Todos os recursos dos investimentos que fiz foram gerados na Odontologia e nela acredito que devem ser reinvestidos.
 

EDITORA MAIO: Já pensou em “pendurar as chuteiras“ ?
Já pendurei. Depois de dois descolamentos de retina e com quase quarenta anos decidi parar com o futebol que por quase 15 anos foi minha válvula de escape nas 2ª feiras à noite. Tenho saudades, mas sou consciente que não tenho mais condições. Minha paixão agora são as caminhadas. Ando uma hora, duas, sem cansar numa sensação de puro prazer. Para me motivar vario o diário e procuro descobrir novos pontos pitorescos da cidade. Praças, casas antigas, ruas bem arborizadas, jardins bem cuidados, tudo me atrai. Acho que das caminhadas e do trabalho não me aposento nunca. Creio que a cabeça ativa e as pernas firmes levam o homem sempre mais longe.
 

EDITORA MAIO: Um conselho aos que iniciam.
Sejam honestos e dedicados. Definam um objetivo o persigam. Aproveitem todos os dias para fazer novos clientes e amigos. Estejam sempre atentos às mudanças do mercado e ao novo. Estudem e leiam, todo o resto será conseqüência. Não se precipitem. Os bons negócios não acontecem de um dia para a noite e só brindam os persistentes e perseverantes. Trabalhem e trabalhem.
 

ENTREVISTA PUBLICADA NO JAO Nº 17 DE NOV/DEZ 1999 - EDITORA MAIO